segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Passeio.


"Vamos dar um passeio" ouvi-o dizer.

Um pouco cautelosa respondi que "sim, não tenho nada a perder, desta vez vou com cuidado".

Bom e com uma pequena distância entre nós iniciámos o passeio. A cada passo a distância foi encurtando e quando dei por mim íamos de mãos dadas. Os dois de mãos dadas naquele passeio fantástico... e de repente eis que surge um buraco, um buraco grande, fundo, escuro! Então largámos as mãos e afastámo-nos... e numa fracção de segundos a distância ficou maior e a cada passo aumentava cada vez mais e enquanto o via afastar-se cada vez mais via surgir outros que ficavam e continuavam o caminho comigo.

E o passeio continuou... e quando o vi pela última vez no horizonte, bem lá ao longe, inalcançável, só consegui desabafar um triste, pesaroso e envergonhado "Já sabia..." ao que todos me responderam (uns com alguma angústia e pesar outros até com uma pequena ironia e satisfação) "pois já..." e continuámos todos o caminho lado a lado.

A cada passo senti-a cada vez mais próxima, definitivamente estava a aproximar-se e quando dei por mim já estava de mãos dadas novamente, mas desta vez não era a mão quente do amor que se entrelaçava na minha mas sim a mão fria e pesada da tristeza. E num último olhos nos olhos, deixando cair uma lágrima, engolindo o choro, o silêncio, a raiva e todos os outros, lá continuámos o passeio.

Um longo passeio...

Rotina.


Estou deitada de olhos abertos e ainda assim me sinto a dormir.

Estou parada no silêncio mas ainda assim consigo ser abalroada pelos gritos ensurdecedores que só eu consigo ouvir.

Não olho para nada e ainda assim consigo ver o silêncio a correr entre quatro paredes e atropelar-me sem que nenhum de nós tenha qualquer reacção.

Já é de dia.. oh e que dia ! Que dia que deveria ter sido e não é... Pois, é de dia e ainda assim consigo ser engolida pela escuridão.

Sim, é assim, uma espécie de rotina.

Não preciso.


Não preciso que penses.

Não preciso que chores.

Não preciso que abraces.

Não preciso que grites.

Não preciso que reconheças.

Não preciso que ligues.

Não preciso que fales.

Não preciso que lutes.

Não preciso que te importes.

Não preciso que finjas.

Não preciso que sintas falta.

Não preciso que adores.

Não preciso que ames.


Acima de tudo não preciso ... e não quero !

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Devolve-me.


Uma palavra, um gesto, um olhar...

Era só o que bastava...

Era só o que queria...

Era por isso que toda eu ansiava...



De resposta só o silêncio.

Não olhei para trás e segui em frente...

Custou.

Cada passo mais difícil que o anterior.

Queria olhar para trás e correr...

Correr em direcção a ti e abraçar-te para que nunca me deixásses.

Não o fiz.

Por orgulho ? Por respeito por mim própria ? Por tudo ?

Não sei.

Só sei que quando voltei a olhar já tinhas partido.

Partiste e levaste-me contigo sem que te apercebesses.

Por isso imploro-te... devolve-me.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Quero!






Dois pedacinhos pequenos que em tanto se transformam, que em tanto se despedaçam.



Dois pedacinhos pequenos que em tudo e tanto se enlaçam.




Quero tudo do nada, quero nada do tudo.



Quero o tempo do passado, quero o tempo do futuro.



Quero o SIM no NÃO, quero o NÃO no SIM.



Quero correr para a frente, quero andar para trás.



Quero o nada e o tudo que isso faz.



Quero ouvir a palavra, quero ouvir o silêncio.



Quero te perto, quero te longe ao mesmo tempo.



Quero o abraço, quero a distância.



Quero calma, quero ânsia.



Quero o que quero, quero o que não quero.



Quero discussão, quero fazer amor.



Quero ser aquilo que desejas, quero ser aquilo que sou.






quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O preto do branco


O que parecia ser afinal não é.

Prata que afinal não passava de latão.

Palavra sentida, simples junção de letras.

Sangue nada mais que corantes em água.

Abraço suposto sentimento nada mais que tentativa de asfixiamento.

Lágrima não de alma mas de chuva.

Beijo carinhoso apenas tentativa de mordedura.

Laço forte simples lenço de papel.

20 revelados como 02.

Pena sentida em tudo, palavra, gesto, sentimento.

O que pareceu ser não o é mais.

O preto do que era tão claro desabrochou.

Tudo tem um começo e um fim.



"All the pictures have all been washed away in black tattooed everything.. All the love gone bad turned my world to black tattoed all I see, all that I am, and I will be.."

Letra F



Quebrou.

Desamparada;

Inerte;

Insensível;

Alheia;

Fria.



Parou.

Sozinha;

Imóvel;

Estátua.



Secou.

Lágrima;

Sentido;

Vontade;

Reacção.



Morreu.

Pedaço;

Sombra;

Sentimento;

Voz;

Coração.



O F que tanto significou agora significa FIM.

"....I try hard to make it, I just wanna make you proud, I'm never gonna be good enough for you..'cause we lost it all..I'm sorry I can't be perfect...."